domingo, 31 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Artigos Jorge Forbes
O excitante amor ao diferente
20/01/2010 16h48
ALIÁS DOMINGO, 17 DE JANEIRO DE 2010
Estudante de direito e filha de professora universitária ajuda namorado, office-boy procurado pela Justiça, a assaltar a própria mãe.
Jorge Forbes*
A filha, ao mesmo tempo que se despede da mãe que está indo para a missa, pedindo que lhe trouxesse um doce quando voltar, fala ao telefone com o namorado, passando as coordenadas dos movimentos da mãe, para que o assalto planejado pelo bando desse namorado seja feito com a melhor precisão.
De uma só vez essa menina, de cara angelical e voz infantilizada, consegue romper dois dos principais tabus sociais: mãe e religião. Com mãe e Deus não se brinca, ditava a cartilha de qualquer meliante. Quando os "intocáveis" do laço social começam a desmoronar, com justa razão há um alerta geral, e essa pequena notícia veiculada nessa semana fica incomodando tal qual uma espinha, ao lado de tragédias bem mais retumbantes.
A menina é loira, estudante de direito, filha de professora universitária e de procurador de Justiça. O menino é moreno, office-boy, procurado pela Justiça. Silêncio: cuidado com pensamentos politicamente incorretos sobre essa união. Que ninguém venha falar que o menino é o lobo mau dessa doce chapeuzinho. Nem a mãe nem o pai da menina nada devem ter dito, dada a convivência íntima por dois anos, em sua casa. Tem muito pai e mãe que não falam mais nada para seus filhos, hoje em dia, amordaçados pela patrulha do politicamente correto. Se disserem alguma coisa, estarão discriminando. Mas não haveria uma forma de se falar, sem ser condenado por sua opinião? Vejamos.
Quando pessoas convivem por muito tempo, de duas, uma: ou elas têm muita coisa a repartir - interesses, valores culturais e éticos -, ou elas, sendo muito diferentes, tentam anular a diferença que as afasta, hipertrofiando os prazeres básicos sexuais e anulando qualquer outro sistema de laço social que as distancie. Logo, o desastre não é decorrente do fato de um ser supostamente melhor que o outro, mas de que, quanto mais distantes forem, mais primária, no sentido de menos elaborada, será a relação, necessariamente. O duro, a se acrescentar, é que o amor entre os diferentes é muitas vezes mais excitante do que a modorrice dos semelhantes. Será que os pais poderiam explicar isso a seus filhos e, especialmente, a si próprios? E mais, nem sempre o que é explicado tem que ser entendido. Pais não devem temer o mal-entendido; não há um bom pai, ou boa mãe - seja o que for que entendamos por isso - que já não tenha ouvido "eu não gosto de você" de um filho. Logo, pais, não recuem quando não concordarem, quando não aceitarem.
Nessa sociedade que perdeu os parâmetros há que se tomar cuidado em se pensar que finalmente somos todos iguais. Não, ao contrário, o que fica evidente é que somos todos diferentes, o que exige muito mais responsabilidade em qualquer relação. Se não for assim, estão abertas as portas à esculhambação generalizada: ao estupro de menores, ao furto de velhinhas, ao roubo de mães.
Não houve quem não associasse esse incidente carioca com o assassinato de um casal em São Paulo, com a participação da filha igualmente estudante de direito. (Nada de conclusões precipitadas sobre as estudantes de direito...) Será que a família vai desaparecer, como pensam alguns? Será que a família é uma relação como outra qualquer? Contrariando o bom-senso, que sempre pensa mal, a tendência da globalização é de sublinhar um novo valor da família, que não é desmentido pelo grande aumento dos divórcios, se entendermos a lógica. A família será o centro da responsabilidade ética - disse ética, e não moral - da sociedade. Família, grosso modo, é do que nos queixamos com mais veemência e paixão. É o grupo do qual mais se espera o reconhecimento que nunca chega e a compreensão impossível de sua dor. É na insatisfação da família que cada um lapida o que lhe falta, a saber, o seu desejo, pois não há desejo sem falta.
Luc Ferry, em livro recente, Famílias, Amo Vocês - Política e Vida Privada na Era da Globalização, defende a ideia de que depois da era na qual os humanos se guiavam pela transcendência divina, substituída pela transcendência da razão no Iluminismo, alcança-se, na globalização, a "transcendência da imanência". Vale uma explicação: ao contrário do que se pode imaginar, os tempos atuais de forte individualismo não caminham para o isolacionismo, mas para a rede social. E é na rede social, no confronto com o parceiro, que cada pessoa tem a ocasião de perceber o que Freud chamou de "o estranho", "Das Unheimlich". Quando nos encontramos com alguém, mais claro fica que alguma coisa de mim falta ao encontro, exatamente essa coisa estranha, essa transcendência da imanência, essa falha na minha intimidade, esse "êxtimo", como o nomeou Lacan. Pois bem, depois do divino e da razão, é essa intimidade estranha que servirá de guia ético para o novo tempo. Sua estranheza exigirá de cada um duas coisas: invenção e responsabilidade. Inventar um sentido para o que não tem, para o estranho, e se responsabilizar pela sua publicação no mundo.
Se ontem as famílias estavam a serviço da República, mandando seus filhos para a guerra, por exemplo, hoje, a República deverá servir às famílias. É o remédio contra o que nos repugna: uma filha ficar de campana para a mãe ser assaltada.
________________________________________
* Psicanalista, preside o Instituto da Psicanálise Lacaniana - IPLA e dirige a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano - USP
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Segredo da Longevidade

Hoje no almoço encontramos um senhor de 96 anos, mas que eu não daria mais do que 70 anos de idade.
Minha colega de trabalho questionou o segredo deste senhor se manter em tão boa forma, e deduziu que ele não fumava nem bebia.
No que se deu a resposta do velho:
- Não bebo nem fumo, mas o segredo mesmo é fazer sexo, todo dia uma vez, não mais do que isso senão vira excesso. Depois que parei de praticar é que comecei a envelhecer.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O retorno do transcendente ou considerações despretenciosas sobre a atualidade (parte 1)
Inicialmente, quero deixar claro ao nobre leitor que se debruça sobre estas linhas que não pretendo realizar aqui uma análise sociológica profunda, o que de imediato retira do presente escrito qualquer possibilidade de ser reconhecido como um trabalho acadêmico. Tenho em vista apenas expor algumas conclusões a que cheguei por meio da observação não-sistemática, não-metodológica, parcialmente influenciada por minhas expectativas, afetos e demais elementos subjetivos conjugada a uma reflexão de cunho predominantemente racional – entendendo esse termo na acepção tradicional referida ao pensamento cartesiano. Trocando em miúdos, tudo o que será exposto aqui pertence ao domínio da doxa e não da episteme.
Diz-se por aí – principalmente por aqueles que pretendem se constituir em autoridade para dizê-lo – que atualmente as pessoas do lado de cá do globo terrestre vivenciam um momento histórico marcado pelo pluralismo sócio-cultural que, basicamente, quer dizer que respeitando minimamente as leis do Estado eu posso elaborar um padrão de vida inteiramente singular, contrário, inclusive, aos preceitos da religião oficial do mesmo Estado e que não serei preso, apedrejado ou morto por causa disso. Outra marca do atual momento segundo os que dizem é um certo estado de incerteza, falta de direcionamento e sentido para a existência resultante da perda do poder normatizador das grandes instituições – como a família, o Estado e a Igreja – e das grandes narrativas que justificavam a vida mediante uma referência a uma realidade transcendental.
Nesse contexto, de prevalência do singular face ao universal e do desbussolamento frente ao sentido, é de se esperar que o investimento psíquico (libidinal, para usar um termo de Freud) das pessoas se deslocasse da transcendência para a imanência da vida, isto é, que a maior preocupação das pessoas deixasse de ser o significado de suas vidas e a adequação de suas ações a um determinado “programa de gerenciamento existencial” e passasse para as peculiaridades e contingências de sua vida concreta. Isso não significa, no entanto, que as pessoas deixassem de buscar sentido para suas vidas. Afinal, a pergunta concernente ao motivo pelo qual existimos e devemos existir pode ser posta no rol daqueles traços que possivelmente caracterizam a chamada “condição humana”. O que mudou foi a fonte onde os indivíduos se dirigem para buscar sentido. Se antes essa fonte era constituída pelas religiões e metanarrativas, na atualidade seria a própria imanência da vida.
O maior exemplo dessa transformação foi a ascenção dos chamados “reality shows” nas televisões de todo o mundo. As pessoas ficam em frente de seus televisores para assistir a pessoas comuns ou artistas mostrando sua faceta de pessoas comuns agindo como pessoas comuns e mostrando conflitos e situações completamente comuns e familiares aos espectadores. Por que assistir à vida comum com conflitos comuns se nós já estamos DENTRO da vida comum com conflitos comuns? Ao meu ver, porque a televisão e os demais meios de comunicação faz com que mesmo o comum transcenda os limites que o conjugam a nossa vida familiar. Assim, aquilo que naturalmente está do lado da imanência da vida se converte em transcendente e aparece aos olhos do espectador como uma possível fonte de sentido para sua vida. É como se cada um que assiste aos “reality shows” dissesse: “Como não acredito mais nessas histórias fantásticas contadas pela religião e pela tradição, deixa eu ver como essas pessoas comuns como eu vivem suas vidas de forma que eu possa extrair o mínimo de parâmetro para a minha.”
Vê-se, portanto, que uma das formas pelas quais o transcendente retorna é justamente através da conversão da imanência em transcedência. No próximo post apresentarei outros casos ilustrativos de retorno do transcendente.
ESCRITO POR LUCAS NAPOLI DO BLOG
LUCAS NAPOLI
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Freud é público
Desde o dia 1o de janeiro de 2010 os textos de Freud se tornaram de domínio público. Isso quer dizer que os direitos de reprodução de sua obra estão liberados a todos, o que nos leva a uma possibilidade de ampliação, principalmente em meios virtuais, do acesso a sua obra. E ainda, as 15000 cartas escritas por ele que estão na Biblioteca do Congresso de Washington estarão disponíveis a reprodução. Hoje, apenas 3000 destas cartas foram publicadas e mais de 5000 delas foram perdidas. Ainda nos resta um grande universo inexplorado de sua produção privada, que como sabemos, sempre fala sobre a sua clínica e o movimento psicanalítico.
A outra boa notícia, é a possibilidade de termos em português uma nova tradução. Uma diferente da atual publicada pela editora Imago, traduzida da bela versão inglesa realizada por James Strachey, (que está sendo revista atualmente) mas que em português deixou muito a desejar. Um texto vindo diretamente do alemão nos ajudaria muito e tenho certeza no interesse das editoras em fazer uma versão deste modo, visto que há um grande público interessado num texto mais fiel ao pensamento do autor vienense.
Já há um projeto em andamento, com três volumes publicados e os seus textos reunidos por temas e não cronologicamente. O trabalho tem sido tão minucioso que recorre às edições em vários outros idiomas, o que tem tomado muito tempo entre a publicação de um volume e outro.
Talvez seja possível também fazer uma tradução apenas com um estudo sobre o alemão da época freudiana, trabalhando para restituir o sentido proposto por Freud em seu texto; e não mais o da IPA e nem o de Jacques Lacan. Acredito termos linguistas, historiadores e psicanalistas competentes para tal empreitada. Afinal, Freud foi um homem que dedicou seus últimos 40 anos a clínica que criou com a descoberta do Inconsciente. Seu conhecimento revolucionou o que sabíamos sobre o humano e permanece uma importante referência na cultura ocidental. Freud é público, vejamos bem o que faremos com isso!POR MARCIO VEGAS DO BLOG
O RECALQUE
sábado, 26 de dezembro de 2009
BOAS FESTAS!
A todos os companheiros de armas (como dizia Freud), ótimas festas, e que em 2010 saibamos utilizar nossos semblantes, e que o encontro seja a surpresa que de lugar a nosso desejo.
Que este blog possa ser um local de encontros, e que não se espere demais destes encontros, apenas mais um local, que comprometido com a transmissão da psicanálise busque o singular, as coisas de fineza.
Apesar de não esperar demais, esperamos alguma coisa. e esta coisa diz de grupos de estudos, de espraiamento do ensino, de possibilidade de encontro entre pares, que não fira a particularidade, mas que some a esta.
Boas Festas !
A MISSA DO GALO
O Papa Bento XVI, no seu sermão anual na missa do galo defendeu a primazia da realidade em depreciação aos sonhos. De acordo com o Pontífice, os sonhos representam o eu egoísta e fechado em si mesmo. Ao dispertarmmos para a realidade, estaríamos cumprindo os preceitos divinos da coletividade, bondade, solidariedade.
A psicanálise realmente é subversiva.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
CONTRAPONTO AO DISCURSO DO MESTRE
O CONTO DO AQUECIMENTO GLOBAL
O professor Luiz Carlos Molion sustenta que “o CO2 não controla o clima” e que “reduzir as emissões” não impediria um real “aquecimento global”. Mostra como a medição de temperaturas do IPCC é tendenciosa e afirma que países ricos querem é frear o crescimento dos países em desenvolvimento
De acordo com o professor Luis Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas e representante dos países da América Latina na Organização Meteorológica Mundial (OMM), “o gás carbônico não controla o clima” e “reduzir as emissões de CO2” “não impedirá “aquecimento global” algum. A afirmação foi feita em entrevista a Carolina Oms, do “Terra Magazine”.
Molion, que estuda o clima há quarenta anos, destacou que a quantidade de CO2 lançada pelo homem – “6 bilhões de toneladas/ano” – é “irrisória” diante dos “200 bilhões provenientes dos fluxos naturais – oceanos, solo, vegetação” anuais. Ele salientou que a incerteza sobre esses fluxos naturais é de “40 bilhões de toneladas para cima e para baixo”. Ou seja, existe “uma incerteza de 80 bilhões, que é oito vezes maior que o que o homem lança na atmosfera”. “Não há como controlar o clima, mas se controlar, se reduzir as emissões, não haverá impacto nenhum no clima”, acrescentou. A questão, ele assinalou, é que o clima hoje “deixou de ser um problema científico, é um problema político-econômico”.
E o cerne desse problema é que, numa situação de crescente escassez dos combustíveis fósseis e recursos naturais, os países ricos querem frear o crescimento dos países em desenvolvimento, “não querem perder a hegemonia”. Como Molion destacou, “hoje a matriz energética mundial, com exceção do Brasil, que é um país privilegiado, está baseada nos combustíveis fósseis (petróleo e carvão)”. Quando se diz, ‘vamos reduzir as emissões’, o que se quer dizer é: “Vamos reduzir a geração de energia elétrica”. Ou seja, a produção (e a inclusão dos mais pobres). “Uma coisa é você estar com sua população em condições adequadas, como é no caso da Europa, dos EUA, do Canadá”; outra, a situação de “todos os países que ainda não têm” tal condição. “Então, precisaria desenvolver, não se consumindo como se consome nos EUA, mas com condições adequadas para viver, saúde, educação”, ressaltou.
DÉCADA DE 30
Voltando à discussão sobre o “aquecimento global”, Molion apontou que “todos os recordes de temperatura nos Estados Unidos, que têm uma série de dados bastante longa, ainda são da década de 1930”. Entre 1925 e 1946, “ocorreu forte aquecimento” e nessa época “o homem lançava na atmosfera menos de 10% do carbono que lança hoje”. Então, aquele aquecimento, “que é ainda maior que esse atual”, na realidade foi explicado “por fenômenos naturais”. O sol esteve mais ‘ativo’, praticamente não houve erupções vulcânicas, deixando a atmosfera mais limpa, e com entrada maior de radiação solar. “Depois, no pós-guerra, quando a atividade industrial aumentou, e o consumo de petróleo também, houve uma queda nas temperaturas. Ele também se referiu à época em que se doutorou nos EUA – anos 1970 – quando estava tão frio que o ‘consenso’ da época era de que se estava “entrando numa Era Glacial”.
Se não é o “CO2”, como insinuado no terrorismo climático vigente, “quem controla o clima?” A resposta em primeiro lugar é “o sol, que é a fonte principal de energia para todo o sistema climático”. Molion lembrou que “há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa da atividade máxima para a mínima”, e deverá estar em estado de atividade mínima nos próximos 22, 24 anos, segundo os registros desde a época de Galileu. Também os oceanos, “em particular o Pacífico, porque ele sozinho ocupa 35% da superfície terrestre. Então, quando ele se aquece, o clima também fica mais quente: a atmosfera, o ar, é aquecido por baixo, as temperaturas mais elevadas estão próximas da superfície”. Mas, conforme Molion, “desde 1999 o Oceano Pacífico esfria”, o que é constatado através de monitoramento e de mais de 3200 bóias que mergulham, se deslocam com a corrente marinha e nove dias depois sobem e passam os dados por satélite. “Esse sistema mostra que os oceanos, de maneira geral, estão esfriando nos últimos seis, sete anos. E, nos últimos 10 anos, a concentração de CO2 continua subindo”.
“CHUTES”
Há também o fato de os modelos de fenômenos climáticos atuais serem “uma representação ainda simples, grosseira, da complexa interação entre os processos físicos diretos e de realimentação”; que há “sérios problemas com as simulações e modelagens” – o que é resolvido através da “sintonia”, “intuição”, “parametrização” – ou, como diriam nos bancos escolares, “no chute”. E a questão de como são medidas as temperaturas que supostamente provariam o “aquecimento global”. O “Painel Intergovernamental” (IPCC), criado, por iniciativa dos países do G-7, para disseminar a tese, se recusa a aceitar as medidas feitas por satélites, através de sensor de microondas (MSU), existentes desde 1986, e mais apropriados para medir temperatura global pois fazem médias sobres grandes áreas, incluindo oceanos. Já os termômetros de superfície, os preferidos pelo IPCC , registram variações de seu micro ambiente, num raio de 150 metros e por estarem na grande maioria dentro das cidades, são afetados pelo efeito de ilha de calor, resultante da substituição da cobertura vegetal por asfalto e concreto.
Como Molion acrescentou, ainda com tudo isso precisam apelar para meios como os mostrados no chamado “Climategate” – os e-mails mostrados por hackers, em que há uma confissão de manipulação de uma série para, ao invés de um resfriamento, mostrar aquecimento. Em entrevistas anteriores, Molion havia expressado que a tese da contenção do desenvolvimento para evitar o aquecimento global é a “ressurreição da velha teoria” do malthusianismo, que dizia que a população dos países pobres, à medida que crescesse, iria concorrer pelos recursos naturais existentes. “Agora querem que reduzamos nosso consumo de petróleo, enquanto a sociedade americana, sozinha, consome um terço do que é produzido no mundo”.
O suposto “consenso científico” sobre o “aquecimento global” foi nocauteado por Molion. “Não existem consensos na ciência, ciência não é política, é experimentação. A ciência progride pelos contras que vão surgindo. Se você tem uma teoria e mostra que ela vale, e se surge um único experimento que diz o contrário, então você tem de repensar toda a teoria”. O professor também contestou as imposturas passadas aos alunos como “ciência”: “quando você olha para os livros didáticos das crianças, diz lá que o homem está destruindo a camada de ozônio, que a Terra está aquecendo, que o nível do mar vai... Isso está errado! O que nós estamos fazendo? Educação ou lavagem cerebral?”
ANTONIO PIMENTA
fonte: Jornal Hora do Povo
O professor Luiz Carlos Molion sustenta que “o CO2 não controla o clima” e que “reduzir as emissões” não impediria um real “aquecimento global”. Mostra como a medição de temperaturas do IPCC é tendenciosa e afirma que países ricos querem é frear o crescimento dos países em desenvolvimento
De acordo com o professor Luis Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas e representante dos países da América Latina na Organização Meteorológica Mundial (OMM), “o gás carbônico não controla o clima” e “reduzir as emissões de CO2” “não impedirá “aquecimento global” algum. A afirmação foi feita em entrevista a Carolina Oms, do “Terra Magazine”.
Molion, que estuda o clima há quarenta anos, destacou que a quantidade de CO2 lançada pelo homem – “6 bilhões de toneladas/ano” – é “irrisória” diante dos “200 bilhões provenientes dos fluxos naturais – oceanos, solo, vegetação” anuais. Ele salientou que a incerteza sobre esses fluxos naturais é de “40 bilhões de toneladas para cima e para baixo”. Ou seja, existe “uma incerteza de 80 bilhões, que é oito vezes maior que o que o homem lança na atmosfera”. “Não há como controlar o clima, mas se controlar, se reduzir as emissões, não haverá impacto nenhum no clima”, acrescentou. A questão, ele assinalou, é que o clima hoje “deixou de ser um problema científico, é um problema político-econômico”.
E o cerne desse problema é que, numa situação de crescente escassez dos combustíveis fósseis e recursos naturais, os países ricos querem frear o crescimento dos países em desenvolvimento, “não querem perder a hegemonia”. Como Molion destacou, “hoje a matriz energética mundial, com exceção do Brasil, que é um país privilegiado, está baseada nos combustíveis fósseis (petróleo e carvão)”. Quando se diz, ‘vamos reduzir as emissões’, o que se quer dizer é: “Vamos reduzir a geração de energia elétrica”. Ou seja, a produção (e a inclusão dos mais pobres). “Uma coisa é você estar com sua população em condições adequadas, como é no caso da Europa, dos EUA, do Canadá”; outra, a situação de “todos os países que ainda não têm” tal condição. “Então, precisaria desenvolver, não se consumindo como se consome nos EUA, mas com condições adequadas para viver, saúde, educação”, ressaltou.
DÉCADA DE 30
Voltando à discussão sobre o “aquecimento global”, Molion apontou que “todos os recordes de temperatura nos Estados Unidos, que têm uma série de dados bastante longa, ainda são da década de 1930”. Entre 1925 e 1946, “ocorreu forte aquecimento” e nessa época “o homem lançava na atmosfera menos de 10% do carbono que lança hoje”. Então, aquele aquecimento, “que é ainda maior que esse atual”, na realidade foi explicado “por fenômenos naturais”. O sol esteve mais ‘ativo’, praticamente não houve erupções vulcânicas, deixando a atmosfera mais limpa, e com entrada maior de radiação solar. “Depois, no pós-guerra, quando a atividade industrial aumentou, e o consumo de petróleo também, houve uma queda nas temperaturas. Ele também se referiu à época em que se doutorou nos EUA – anos 1970 – quando estava tão frio que o ‘consenso’ da época era de que se estava “entrando numa Era Glacial”.
Se não é o “CO2”, como insinuado no terrorismo climático vigente, “quem controla o clima?” A resposta em primeiro lugar é “o sol, que é a fonte principal de energia para todo o sistema climático”. Molion lembrou que “há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa da atividade máxima para a mínima”, e deverá estar em estado de atividade mínima nos próximos 22, 24 anos, segundo os registros desde a época de Galileu. Também os oceanos, “em particular o Pacífico, porque ele sozinho ocupa 35% da superfície terrestre. Então, quando ele se aquece, o clima também fica mais quente: a atmosfera, o ar, é aquecido por baixo, as temperaturas mais elevadas estão próximas da superfície”. Mas, conforme Molion, “desde 1999 o Oceano Pacífico esfria”, o que é constatado através de monitoramento e de mais de 3200 bóias que mergulham, se deslocam com a corrente marinha e nove dias depois sobem e passam os dados por satélite. “Esse sistema mostra que os oceanos, de maneira geral, estão esfriando nos últimos seis, sete anos. E, nos últimos 10 anos, a concentração de CO2 continua subindo”.
“CHUTES”
Há também o fato de os modelos de fenômenos climáticos atuais serem “uma representação ainda simples, grosseira, da complexa interação entre os processos físicos diretos e de realimentação”; que há “sérios problemas com as simulações e modelagens” – o que é resolvido através da “sintonia”, “intuição”, “parametrização” – ou, como diriam nos bancos escolares, “no chute”. E a questão de como são medidas as temperaturas que supostamente provariam o “aquecimento global”. O “Painel Intergovernamental” (IPCC), criado, por iniciativa dos países do G-7, para disseminar a tese, se recusa a aceitar as medidas feitas por satélites, através de sensor de microondas (MSU), existentes desde 1986, e mais apropriados para medir temperatura global pois fazem médias sobres grandes áreas, incluindo oceanos. Já os termômetros de superfície, os preferidos pelo IPCC , registram variações de seu micro ambiente, num raio de 150 metros e por estarem na grande maioria dentro das cidades, são afetados pelo efeito de ilha de calor, resultante da substituição da cobertura vegetal por asfalto e concreto.
Como Molion acrescentou, ainda com tudo isso precisam apelar para meios como os mostrados no chamado “Climategate” – os e-mails mostrados por hackers, em que há uma confissão de manipulação de uma série para, ao invés de um resfriamento, mostrar aquecimento. Em entrevistas anteriores, Molion havia expressado que a tese da contenção do desenvolvimento para evitar o aquecimento global é a “ressurreição da velha teoria” do malthusianismo, que dizia que a população dos países pobres, à medida que crescesse, iria concorrer pelos recursos naturais existentes. “Agora querem que reduzamos nosso consumo de petróleo, enquanto a sociedade americana, sozinha, consome um terço do que é produzido no mundo”.
O suposto “consenso científico” sobre o “aquecimento global” foi nocauteado por Molion. “Não existem consensos na ciência, ciência não é política, é experimentação. A ciência progride pelos contras que vão surgindo. Se você tem uma teoria e mostra que ela vale, e se surge um único experimento que diz o contrário, então você tem de repensar toda a teoria”. O professor também contestou as imposturas passadas aos alunos como “ciência”: “quando você olha para os livros didáticos das crianças, diz lá que o homem está destruindo a camada de ozônio, que a Terra está aquecendo, que o nível do mar vai... Isso está errado! O que nós estamos fazendo? Educação ou lavagem cerebral?”
ANTONIO PIMENTA
fonte: Jornal Hora do Povo
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
SOBRE O COLÓQUIO
VIII Colóquio e X Jornada de Cartéis da Delegação Paraná, realizados em 18 e 19/12/09.
O investimento na Psicanálise de Orientação Lacaniana, nos aproximou no decorrer destes dois dias de intenso trabalho.
Tendo a arte como a via de entrada, estampou-se por intermédio de cenas escolhidas, algumas coordenadas da nossa civilização, expondo a expressão da angústia e de semblantes, tratados pelo teatro.
Um espetáculo antecipou a discussão “ Sobre Semblantes...”, tema que deu origem ao VIII Colóquio da Delegação Paraná, no qual foram apresentados quatro produções.
Centrados numa categoria, a dos semblantes, os trabalhos do Colóquio trouxeram registros acerca de articulações entre simbólico e imaginário, em sua relação com o real, fazendo existir o que não existe. Nos meandros das construções, foram suscitadas as funções dos semblantes, bem como a relação da função do analista com os semblantes.
Dando continuidade, a transmissão do AME Rômulo Ferreira da Silva, na primeira Conferência “ Os Semblantes na Clínica Psicanalítica”, evocou o ato analítico, ressaltando a direção rumo ao real, quando o analista ocupa o lugar de semblante.
Em sua segunda Conferência, “ Uso dos semblantes: Psicose Ordinária”, destacou-se a passagem por Schreber, recaindo na clínica borromeana. De Freud a Lacan, Rômulo compartilhou questionamentos, investigações e apostas acerca da psicose ordinária, instigando um querer saber sobre os desencadeamentos, as amarrações e neotratamento.
Levando a diante a proposta de Lacan, no que tange aos dispositivos da Escola, a Delegação Paraná fez valer a X Jornada de Cartéis. Um momento frutífero, retratando a busca de saber, ao longo deste ano, dos dez cartéis inscritos na referida Delegação. Assim, pautados em diversas temáticas, trinta e três trabalhos foram escritos. Começamos com reflexões sobre a angústia e, na seqüência, a ênfase recaiu nas elaborações acerca do Seminário XX. Percorremos articulações envolvendo o Édipo e a clínica dos CPCT’s, para então nos focarmos no não saber em Psicanálise, no desejo e ato analítico.
Em meio a estes cartéis, destaco o de Orientação Lacaniana. Formado por membros da Delegação Paraná, tendo como Mais-Um o membro da Seção Santa Catarina ( em formação ) Oscar Reymundo, este cartel partiu do curso Coisas de Fineza. Assim, uma mesa de trabalho que contou com as contribuições da AE Angelina Harari, enquanto debatedora, foi uma amostra viva da possibilidade de avançar e da relevância do psicanalista estar acompanhando os progressos do seu tempo.
Para encerrar as atividades de 2009, em nome da Coordenação da Delegação Paraná, agradeço à aqueles que tornam possível estes momentos, com seus trabalhos, suas questões e comentários.
Marcia Maria Stival
Secretária de Biblioteca e Publicações
Coordenação da Delegação Paraná
Coordenadora Geral – Teresa Pavone
Secretaria de Cartéis e Intercâmbios – Nohemi Ibáñez Brown
Secretaria de Biblioteca e Publicações – Marcia Maria Stival
Secretaria Geral e Tesouraria – Leovanil Stange Filho
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