segunda-feira, 31 de maio de 2010

VOCÊ ESTÁ EM ANÁLISE ?

Por Jorge Forbes


Você está em análise? Etâ perguntinha difícil de responder; vejamos. Primeiro, não basta você dizer que vai a um psicanalista bem titulado, tantas vezes por semana. O carteiro do analista também vai lá com frequência e nem por isso está em análise. Ficou conhecida a história de um paciente que após um bom tempo diz a "seu analista" que está chegando ao fim de seu trabalho. Este lhe responde: - "Engano seu, penso que o senhor está prestes a começar". Entrar em análise é mudar de posição subjetiva: a pessoa para de referir suas queixas às cenas atuais de seu cotidiano e passa a se entender em uma "Outra Cena", como dizia Freud. Isso é difícil de conseguir, pois a realidade sempre alivia o comprometimento de cada um em seu mal-estar, razão pela qual muitas pessoas adoram viver um inferno de vida. Se quisermos traduzir em conceito, entrar em análise é sair de uma moral dos costumes e se instalar na ética do desejo.



Segundo, há que se conhecer a diferença entre Psicanálise e o mar de psicoterapias que são oferecidas. Se até para o profissional, nem sempre é clara, imagine para o leigo. O termo "Psicanálise" adquiriu certo valor de mercado e acaba sendo o cobertor genérico de corpos disciplinares muito diferentes, o mais das vezes, opostos. Em síntese, praticamente todas as psicoterapias seguem o modelo da ética médica: um se queixa, o outro trata; um não sabe, o outro sabe; um é paciente, o outro é atuante. Arrisquemos uma definição: no fundamento do que se chama Psicanálise está sempre - sim - sempre responsabilizar o sofredor em seu sofrimento. Não culpar, atenção, responsabilizar e de uma responsabilidade muito diferente da responsabilidade jurídica, que se baseia na consciência dos fatos. Seria até engraçado que a prática do inconsciente exigisse a responsabilidade consciente. A responsabilidade em Psicanálise, contrariamente à jurídica, é a responsabilidade frente ao acaso e à surpresa. Não dá para ninguém se safar de uma situação dizendo: - "Ah, só se foi o meu inconsciente", como se ele fosse 'um moleque irresponsável que não tem nada a ver comigo'. A Psicanálise se define por sua ética, como queria Lacan, e a ética da Psicanálise é o avesso da ética médica, por conseguinte, das psicoterapias. Isso não quer dizer que uma coisa seja melhor que a outra, mas que é fundamental reconhecer as diferenças para que haja uma colaboração efetiva entre os campos clínicos e não mútuo borrão, como soe acontecer.



Terceiro, finalmente, fazer análise hoje é igual aos tempos de Freud? Sim e não. Sim, no que tange ao fundamento do inconsciente; não, na diferença de sua expressão. Desde Freud até muito recentemente, digamos há uns trinta anos, fazer análise era se conhecer melhor e, por isso, agir de maneira menos infestada de comprometimentos psicopatológicos. O se "conhecer melhor" se obtinha na análise do Complexo de Édipo, matriz da significação do comportamento humano, verdadeiro software genial que Freud invene - tou para entender como uma pessoa pode operar o hardware mundo, que não lhe é em nada natural. Por quase cem anos acreditamos que o mundo era edípico, e era mesmo, se edípico é um mundo que institui um padrão de significação vertical e superior, no caso, o Pai. O paciente de ontem, por viver em um mundo padronizado, sabia onde queria chegar e se perguntava sobre o que lhe amarrava a sua vida, daí o foco no passado. Entramos, agora, em uma nova configuração do laço social: a globalização privilegia a horizontalidade sobre a verticalidade constituindo uma sociedade em rede, muito distinta da piramidal da qual nos afastamos no bonde da História. Se hoje o Édipo ainda funciona, sua abrangência de leitura do fenômeno humano é mais restrita e, em decorrência, uma clínica nele centrado também o é. Necessitamos de uma clínica além do Édipo. O paciente de hoje, mais que do passado, quer saber do seu futuro. Ele não se pergunta o que o impede de chegar a um objetivo, pois o problema, quando se quebram os padrões, é saber qual é o seu objetivo entre as inúmeras possibilidades, fato que o angustia. Paradoxalmente, uma análise vai lhe mostrar que há um limite ao conhecimento e que fazer uma análise não é conhecer mais, mas se defrontar com o impossível de tudo saber, frente ao qual só resta uma possibilidade: a de inventar uma solução e a de publicá-la, suportando o risco de seu desejo. Uma análise hoje, pós-edípica, deverá ser capaz de transformar a angústia imobilizadora em criativa; a rigidez em flexibilidade; a moral da necessidade em ética do desejo.


(artigo publicado na Revista Psique - número 51)

AGENDA SEMANAL DELEGAÇÃO PARANÁ

quinta-feira, 29 de abril de 2010

agenda semanal Delegação Paraná - EBP

Produção dos Quatro Discursos - algumas considerações - Seminário XVII O avesso da Psicanálise - Lacan

O Discurso se estabelece como uma estrutura, e como tal, ele não necessita da palavavra, pois o discurso ele se estabelece enquanto laço social na linguagem, que supera a palavra e a própria enunciação.
O primeiro capítulo do Avesso da Psicanálise Lacan introduz as letras de sua álgebra, que  ocuparão lugares na estrutura dos discursos.

S1 - siginficante mestre, de onde parte a definição do discurso, que num primeiro momento é marcado pelo campo do grande Outro, é aquele que intervém naquilo que já está como saber instituído na bateria significante, é um interventor nesta rede de saber do grande Outro.
S2 - é o saber constituído, a bateria dos significantes
$ - sujeito barrado, também pode ser visto como sintoma, ele se dá ao ser representado pelo S1 quando este faz sua intervenção no saber constituído, na beteria significante.
a - pequeno a, que no seminário anterior, De um Outro ao outro,  estabelece-se como o outro pequeno, que se apresenta tanto como causa do desejo, como mais-de-gozar.

lacan diz:
"é no instante mesmo em que S1 intervém no campo já constituído dos outros significantes, na medida em que eles já se articulam entre si como tais, que ao intervir junto a um outro, do sistema, surge isso, $, que é o que chamamos de sujeito como dividido... nós sempre acentuamos que desse trajeto surge alguma coisa definida como uma perda. É isso que se a letra que se lê como sendo o objeto a."

Tudo que fica no lado direito da álgebra lacaniana, estará no campo do grande Outro, do saber, e as letras a esquerda no campo do Sujeito - $ .






Há um quarto de giro em sentido horário, que vai estabelecer quatro posições possíveis da estrutura que vai identificar um determinado discurso.
o do mestre,
o da histérica
o universitário
e o do analista

sexta-feira, 26 de março de 2010

http://www.psicanaliselacaniana.com/mural/textos/4_resumos_sobre_um_primor_de_curso.htm

Para quem está fazendo leitura do seminário 17, eis o link do que há de mais recente em discussão dentro da Escola Brasileira de Psicanálise

FILME RECOMENDADO

Em breve postarei um resumo do artigo da psicanalista Nhomi Ibanez Brown, que no estudo do filme trata da passagem ao ato e a reconstituição do sujeito frente a um novo significante.

ANOREXIA

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

SOBRE PALAVRAS E REMÉDIOS

 

A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras boas."
(Freud)

Alguns podem pensar que Freud disse isso há tantos anos atrás...! E que hoje, com as fluoxetinas e amitriptilinas da vida, isso já foi superado...
Mas, como dizem, "o buraco é mais embaixo". Dia após dia eu escuto pessoas que me contam do fracasso de tais medicações. Pessoas que tomam anti-depressivos há tanto tempo...que já não sabem mais o que veio antes: o ovo ou a galinha. Isto é, o que vem antes: a tristeza ou o medicamento?
São muitos os casos de pessoas que já não se lembram como é a sensação de não tomar o medicamento. E que ainda assim, sentem-se cada vez mais tristes, dias após dia. Denunciando a falha, a incompletude da Medicina, Farmacologia, Psiquiatria.
Outro dia alguém me contava que não podia tomar rivotril, porque esse medicamento lhe gerava uma sensação de felicidade tão artificial, que lhe causava angústia.
A tristeza faz parte da vida do ser humano. Ora, se a falta é constitutiva, como ser feliz todo o tempo? Processos de elaboração de luto fazem parte da vida e da dor de cada um. É preciso que se faça a elaboração dos lutos, que se pense, que doa. O remédio serve para ajudar a fingir que a dor não está lá...quando está!

Muitos acreditam que o remédio serve para ajudar na cicatrização de uma ferida que foi aberta e está doendo...Quando na verdade, os remédios servem para fazer parar a cicatrização.

Bem, aí trata-se da escolha de cada um. Lutar para a cicatrização de suas feridas, ou maquiá-la... Viver tem conseqüências, cada escolha tem seu preço.
POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG SIGNIFICANTES DE ANA SUY SESARINO

AGENDA EBP - DELEGAÇÃO PARANÁ

 

  
  
  
  
  
  

AGENDA "CRIANDO CASOS" INSCRITO NA LETRA - ASSOCIAÇÃO DE PSICANÁLISE

CRIANDO CASOS

Um, dentre outros que de outra feita ocuparão o mesmo lugar, decide, por seu desejo e exclusivamente por ele, relatar um caso clínico que o põe à trabalho, para um grupo que não excederá nunca o número de dez mais um. Ao grupo fica a responsabilidade do silêncio – inclusive de escrita. Ao mais um a de instigar e coordenar e, ao falante, nada além de dizer daquilo que trata, tão limpo quanto possível de qualquer tomada teórica que escamoteie a verdade que por sua boca se faz dizer.
Isso, num primeiro momento, que por ser assim, elenca um segundo onde as posições se invertem. Neste, aqueles que coseram suas bocas outrora, tomam a palavra e a utilizam para falar sobre o que escutaram deste, que agora, perde seu direito anterior ficando-lhe de resto a possibilidade de escutar, no mínimo, sua própria mensagem de forma invertida.
É assim, dessa forma simples e altamente profícua, que um caso se cria de acordo com esse dispositivo que põe a girar a ciranda da transferência de trabalho. Tanto para aquele que escolhe dizê-lo quanto para aqueles que decidem escutá-lo, produz-se teoria num só-depois da clínica propriamente dita, reavivando em ato a(s) experiência(s) inaugural(s) da psicanálise e deixando para a Academia o que é seu apanágio, inevitável.

Início: 20 de Março de 2010.
Freqüência: Quinzenal.
Horário: das 14:00 às 17:00.
Responsável: Gustavo Capobianco Volaco. (link)
Endereço: Edifício Golden Business, R. da Glória, 72, último andar.
Centro Cívico    Curitiba - Paraná

DO BLOG DA PSICANALISTA MARIA OTÍLIA BENTO HOLZ

A UNIVERSIDADE E SUAS VICISSITUDES


A disciplina “O Ensino Superior no Brasil” trouxe uma visão ampla e crítica do que tem sido a trajetória das universidades, desde seus primórdios até os dias atuais.
Através de uma breve citação, pode-se dizer que o surgimento das Universidades do mundo se deu através da preocupação com a Educação. O homem deveria adaptar-se ao meio e vice-versa. No século X, começaram a surgir no fundo das Igrejas, estudos sobre como trabalhar o homem e sua formação. Na idade Média, a conservação e transmissão do conhecimento teórico, deveriam ser confiadas a uma instituição denominada “Studium Generale”. Instituição compreendida como uma cooperação autônoma de professores e estudantes, que conseguiu unificar a chamada cultura ocidental durante três séculos. Foram nessas instituições que pensadores esquematizaram suas doutrinas. No século XII a Universidade teve seu real aparecimento como Instituição. Apresenta-se com características que lhe confere uma posição inconfundível na Sociedade, como órgão de Expressão e Comunicação de uma Cultura na qual a Sociedade inteira se reconhece pelos seus ideais e valores. A sociedade medieval conseguiu atingir seu apogeu no século XVI. O Espírito do Renascimento e da Reforma tiveram suas influências. O Empirismo (Bacon) na Inglaterra, afirmando que tudo parte da prática e o racionalismo (Descartes) “Se o homem pensa, logo existe”, são duas grandes correntes que deram origem ao pensamento contemporâneo. A Universidade passou a ser a porta através da qual se produz conhecimento com base em pesquisa. Lugar de ensino do saber universal. Fator de ascensão social. Deve, ainda, aspirar um processo de educação permanente. Daí o tripé, ensino, pesquisa, e extensão. Enfim, as Universidades surgiram para compreender a concepção de ciência como conhecimento metódico e esquematizado de sua produção (pesquisa) e transmissão (ensino – assimilação).
Quanto a história do Ensino Superior no Brasil, pode-se analisar sob diversos aspectos. A partir do texto Universidade, Ciência e Subdesenvolvimento. Simon refere-se aos Problemas de Educação e a questão da Universidade, dizendo que nos anos de 1920 eram feitas Conferências e debates com a finalidade de que através da educação o país se desenvolvesse. Nos anos trinta surgem as primeiras universidades. Em 1960 o tema da reforma universitária era obrigatório nos ambientes intelectuais e políticos, o que resultou num programa de treinamento para a melhoria da educação, mesmo sendo apenas uma peça nesse gigantesco e complexo quebra cabeça. Coloco, então, alguns pontos que me fazem questão. Como não ser conivente com certas posições de interesses políticos e financeiros? O crescimento desordenado da privatização de universidades gerou uma perda na qualidade do ensino e, consequentemente, um impasse. Que tipo de avaliação fazer com os alunos que chegam despreparados? Considera-se “n” variáveis com tolerância a certas limitações ou não? Digo limitações por se tratar de um país subdesenvolvido, onde o aluno precisa trabalhar. Ou a Universidade é para poucos? Com o aumento vertiginoso da população, haveria outra forma de não restringir o ensino de terceiro grau a uma minoria elitizada, considerando as condições brasileiras sem perda na qualidade de ensino? Se há um interesse em democratizar as Universidades e Socializar o Conhecimento que considerações devem ser relevadas para se atingir tais objetivos? A resposta para essas questões requer uma atenção especial não só de Categorias Dirigentes, mas também de cada um de nós que está envolvido no processo educativo e de formação profissional. A Universidade não pode reduzir-se a um lugar de mera transmissão do Saber. Deve sim, ir além. Despertar no aluno um compromisso cada vez maior com a sua formação profissional, com uma contribuição social e interesse pela pesquisa. Como eu trabalho com a Psicanálise, tomaria também esse “ir além“, sob outro enfoque. O de um outro Saber que não é o tecnológico, nem o científico, não é da ordem do conhecimento, mas que é o mais elementar do ser humano, saber de sua verdade. Saber de seu inconsciente, de seu desejo de seus medos, suas angústias, suas limitações, seu próprio funcionamento, isto, é saber de si mesmo, além do saber da ciência. Esta possibilidade deveria existir nos currículos escolares desde o início de educação de uma criança. Assim evitar-se-ia um tão grande número de pessoas que se formam, principalmente nas Universidades Federais e não exercem a profissão. Por ser de graça só querem um título. Já que o Brasil é um país que valoriza isso.
Outra questão, a Ciência busca “melhorar“ a condição de vida do homem, tirá-lo cada vez mais da natureza e colocá-lo na cultura, daí o paradoxo: até que ponto o progresso trazido pelo avanço científico é favorável ao homem? Há, pois, urgência de que em todos os níveis de ensino se inclua nos currículos a possibilidade do homem ampliar sua consciência, sua percepção, disso que nele trabalha e que resulta num funcionamento.
Concluindo, espero que a Universidade possa voltar a atender sua finalidade inicial que era uma adaptação do meio ao homem e do homem ao meio (homem x sociedade). Proporcionar-lhe uma melhor qualidade de vida. E não deixá-lo mais estressado, angustiado pela sobrevivência, correndo atrás da máquina mesmo que isso lhe custe a própria saúde física e mental. E que a entrada na Universidade não seja através da manifestação de um cursinho para o vestibular, mas que haja medidas de avaliação mais eficazes e humanas.
Enfim, que a Universidade possa cada vez mais ser o “Templo do Saber“.

postado por: MARIA OTILIA BENTO HOLZ 10:28 AM

Terça-feira, Maio 15, 2007

A criança, esse pequeno e indefeso ser, precisa de muito amor e compreensão para se tornar um adulto amável e compreensível. Os cuidados que ela requer não são somente em relação ao corpo, à higiene, alimentação, saúde, mas também e principalmente aqueles de ordem afetiva, moral e ética.
A modernidade alterou a ordem das coisas, trouxe mudanças de valores, um esvaziamento da ética e um descuido com a disciplina. Predomina uma relatividade em detrimento de parâmetros que possam orientar os pais e educadores na formação e desenvolvimento do infante.
O relativismo através do qual tudo é relativo, tudo pode, desorienta os mais bem intencionados em acertar. Acertar em ensinar, educar, amar questionar, enfim a discernir aquilo que é para o bem ou para o mal, já que se pode fazer qualquer coisa. Mas será que convém fazê-la ?
Entender que o ser humano é um ser da falta, que nada o completa é importante para que não se pense que suprir todas as necessidades da criança, ou atender a todos os pedidos dela, significa amá-la incondicionalmente.
A verdadeira formação da personalidade deve estar calcada em certos princípios de conhecimento sobre a criança e de respeito para com ela, mas não de tolerância para com o mal que ela possa fazer e se fazer. Como nos disse Freud a tolerância para com o mal não é nenhum corolário do conhecimento.
Sabe-se que a criança apresenta características que lhes são peculiares tais como: o egoísmo, a persistência, o egocentrismo, por isso quer ser o centro das atenções e se satisfazer a qualquer custo. Sair dessa posição infantil para uma compreensão de que as coisas nem sempre são como ela quer, requer uma grande dose de paciência, ensinamento e ¿exemplo¿. Diz o dito popular: ¿As palavras comovem, mas o exemplo arrasta¿.
Quando se fala em exemplo, se fala naquilo que os pais transmitem aos filhos, em termos do que realmente ¿desejam¿ ou esperam deles. É algo profundo e inconsciente que muitas vezes nem os pais o sabem. Por isso se põem como ¿vítimas¿ do que os filhos são, do que eles fazem e não como tendo parte nisso.
A psicologia revolucionou a maneira de ver a criança, não mais como um mero instrumento de obediência e submissão, mas como um ser que tem suas vontades próprias.
Esse é o ponto nevrálgico na educação, pois como atender ¿essas vontades¿ sem cair numa falta de limites onde os pais acabam sendo ¿escravos¿ dessas vontades.
Saber distinguir uma vontade que se pode atender sem prejudicar a criança não há mal nenhum, como por exemplo: a criança não quer vestir determinada roupa, ou comer determinada coisa e a mãe quer que o faça a força, isso acaba numa ¿guerra¿ de poder. Quem pode mais.
Nesse caso seria mais sensato que a criança pudesse escolher. Diferente de uma situação na qual ela corre risco. Não adianta dizer a uma criança muito pequena que não se pendure na janela do 10º andar, pois pode cair. O indicado é trancar a janela. Colocar um cadeado se preciso for.
Muitas vezes a incoerência dos pais ou mesmo dos educadores, de um modo geral, é um fator que gera conflito e indisciplina. O recomendável é que os pais sejam coerentes na educação. Se o pai dá uma ordem, a mãe deve respeitar e não desautorizá-lo e vice versa. Isso não significa que os pais tenham que ter o mesmo ponto de vista sobre determinada situação, mas a posição já tomada por um deve ser respeitada pelo outro. E até explicada: mamãe ( ou papai ) pensa diferente, mas como papai já falou vai ser assim. Sabe-se que a criança quando quer algo é muito insistente e não se cansa de pedir, chorar, gritar, bater o pé. Os pais para se verem ¿livres¿ dessa insistência acabam cedendo, depois de dizerem muitos nãos. Com isso a criança conclui que sua persistência em querer algo, apesar do não inicial, vencerá mais cedo ou mais tarde, já que esse não vira sim. Então faça, então pegue, então vá.
Não é fácil manter um não até o fim, por isso é importante que se pense bem antes de dizê-lo, se procede mesmo, se é capaz de sustentá-lo.
A conversa, a explicação das atitudes tomadas pelos pais situa a criança no porquê fazer determinadas coisas, pois ensiná-la a esperar, a postergar ou mesmo trocar aquilo que de imediato ela deseja é tarefa ardua e que exige muita paciência, persistência e firmeza. Não existe faculdade para educação de filho, mas existe sim o desejo dos pais e o desejo dos filhos. Como lidar com essas diferenças? Eis a questão. Importante é saber que esse ¿desejo¿ é o que verdadeiramente mobiliza certas atitudes e nem sempre coincide com a vontade. Por exemplo, se diz que quer algo mas se faz outra coisa. Há então que parar e perguntar o porquê dessa contradição. Pois nesse caso passa-se mensagens ambíguas para os filhos. Apostar na educação que se dá à criança é acreditar que futuramente ela possa buscar os seus próprios caminhos.
Outra vertente importante a ser considerada em relação a criança, está no lugar que ela ocupa na relação parental, pois sabe-se que o sintoma da criança corresponde à verdade do par familiar e também diz respeito à subjetividade da mãe, ou seja, a criança como objeto no fantasma da mãe. Que fantasia seria essa na qual a criança é envolvida?
postado por: MARIA OTILIA BENTO HOLZ 6:41 PM

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

LINK DE VÍDEOS PSICANALÍTICOS

AQUI ALGUNS VÍDEOS BASTANTE DIDÁTICOS (se é que isso é possível em psicanálise Lacaniana), de MARCELO AUGUSTO PEREZ, PSICANALISTA ARGENTINO.

http://www.youtube.com/user/psicocorreo


INTERNET - RETORNO A HISTERIA

Resumo

Este estudo propõe analisar o comportamento sexual dos usuários das comunidades virtuais, do ponto de vista semiótico-psicanalítico. Como objeto de análise, observou-se os signos que representam a histeria, nesse contexto. Para recorte de corpus escolheu-se a Internet, e nela o site de relacionamentos Orkut. Num primeiro momento, a semiótica foi usada a fim de atestar a procedência da Orkut como uma rede social, para, em seguida, e adotando o pressuposto de que existe uma estrutura que metaforiza o comportamento das pessoas usuárias da rede social Orkut, foi realizado um retorno ao conceito de histeria, atribuindo-lhe condição de estrutura psíquica que representa o comportamento dos usuários da rede.

Palavras-chave


Comunidade virtual; semiótica das mídias; semiótica psicanalítica; histeria contemporânea.



Importante: Artigo apresentado no XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.



Para ler o artigo completo clique aqui.


COSTA, Patrícia Martins Costa. Internet: o retorno à histeria. In Anais do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 29 ago a 2 set 2007. Santos: PUC-SP.