sexta-feira, 26 de março de 2010
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
SOBRE PALAVRAS E REMÉDIOS
A ciência moderna ainda não produziu um medicamento tranquilizador tão eficaz como o são umas poucas palavras boas."
(Freud)
(Freud)
Alguns podem pensar que Freud disse isso há tantos anos atrás...! E que hoje, com as fluoxetinas e amitriptilinas da vida, isso já foi superado...
Mas, como dizem, "o buraco é mais embaixo". Dia após dia eu escuto pessoas que me contam do fracasso de tais medicações. Pessoas que tomam anti-depressivos há tanto tempo...que já não sabem mais o que veio antes: o ovo ou a galinha. Isto é, o que vem antes: a tristeza ou o medicamento?
São muitos os casos de pessoas que já não se lembram como é a sensação de não tomar o medicamento. E que ainda assim, sentem-se cada vez mais tristes, dias após dia. Denunciando a falha, a incompletude da Medicina, Farmacologia, Psiquiatria.
Outro dia alguém me contava que não podia tomar rivotril, porque esse medicamento lhe gerava uma sensação de felicidade tão artificial, que lhe causava angústia.
A tristeza faz parte da vida do ser humano. Ora, se a falta é constitutiva, como ser feliz todo o tempo? Processos de elaboração de luto fazem parte da vida e da dor de cada um. É preciso que se faça a elaboração dos lutos, que se pense, que doa. O remédio serve para ajudar a fingir que a dor não está lá...quando está!
Muitos acreditam que o remédio serve para ajudar na cicatrização de uma ferida que foi aberta e está doendo...Quando na verdade, os remédios servem para fazer parar a cicatrização.
Bem, aí trata-se da escolha de cada um. Lutar para a cicatrização de suas feridas, ou maquiá-la... Viver tem conseqüências, cada escolha tem seu preço.
POSTADO ORIGINALMENTE NO BLOG SIGNIFICANTES DE ANA SUY SESARINO
AGENDA "CRIANDO CASOS" INSCRITO NA LETRA - ASSOCIAÇÃO DE PSICANÁLISE
CRIANDO CASOS
Um, dentre outros que de outra feita ocuparão o mesmo lugar, decide, por seu desejo e exclusivamente por ele, relatar um caso clínico que o põe à trabalho, para um grupo que não excederá nunca o número de dez mais um. Ao grupo fica a responsabilidade do silêncio – inclusive de escrita. Ao mais um a de instigar e coordenar e, ao falante, nada além de dizer daquilo que trata, tão limpo quanto possível de qualquer tomada teórica que escamoteie a verdade que por sua boca se faz dizer.
Isso, num primeiro momento, que por ser assim, elenca um segundo onde as posições se invertem. Neste, aqueles que coseram suas bocas outrora, tomam a palavra e a utilizam para falar sobre o que escutaram deste, que agora, perde seu direito anterior ficando-lhe de resto a possibilidade de escutar, no mínimo, sua própria mensagem de forma invertida.
É assim, dessa forma simples e altamente profícua, que um caso se cria de acordo com esse dispositivo que põe a girar a ciranda da transferência de trabalho. Tanto para aquele que escolhe dizê-lo quanto para aqueles que decidem escutá-lo, produz-se teoria num só-depois da clínica propriamente dita, reavivando em ato a(s) experiência(s) inaugural(s) da psicanálise e deixando para a Academia o que é seu apanágio, inevitável.
Isso, num primeiro momento, que por ser assim, elenca um segundo onde as posições se invertem. Neste, aqueles que coseram suas bocas outrora, tomam a palavra e a utilizam para falar sobre o que escutaram deste, que agora, perde seu direito anterior ficando-lhe de resto a possibilidade de escutar, no mínimo, sua própria mensagem de forma invertida.
É assim, dessa forma simples e altamente profícua, que um caso se cria de acordo com esse dispositivo que põe a girar a ciranda da transferência de trabalho. Tanto para aquele que escolhe dizê-lo quanto para aqueles que decidem escutá-lo, produz-se teoria num só-depois da clínica propriamente dita, reavivando em ato a(s) experiência(s) inaugural(s) da psicanálise e deixando para a Academia o que é seu apanágio, inevitável.
Início: 20 de Março de 2010.
Freqüência: Quinzenal.
Horário: das 14:00 às 17:00.
Responsável: Gustavo Capobianco Volaco. (link)
Endereço: Edifício Golden Business, R. da Glória, 72, último andar.
Freqüência: Quinzenal.
Horário: das 14:00 às 17:00.
Responsável: Gustavo Capobianco Volaco. (link)
Endereço: Edifício Golden Business, R. da Glória, 72, último andar.
Centro Cívico Curitiba - Paraná
DO BLOG DA PSICANALISTA MARIA OTÍLIA BENTO HOLZ
A UNIVERSIDADE E SUAS VICISSITUDES
A disciplina “O Ensino Superior no Brasil” trouxe uma visão ampla e crítica do que tem sido a trajetória das universidades, desde seus primórdios até os dias atuais.
Através de uma breve citação, pode-se dizer que o surgimento das Universidades do mundo se deu através da preocupação com a Educação. O homem deveria adaptar-se ao meio e vice-versa. No século X, começaram a surgir no fundo das Igrejas, estudos sobre como trabalhar o homem e sua formação. Na idade Média, a conservação e transmissão do conhecimento teórico, deveriam ser confiadas a uma instituição denominada “Studium Generale”. Instituição compreendida como uma cooperação autônoma de professores e estudantes, que conseguiu unificar a chamada cultura ocidental durante três séculos. Foram nessas instituições que pensadores esquematizaram suas doutrinas. No século XII a Universidade teve seu real aparecimento como Instituição. Apresenta-se com características que lhe confere uma posição inconfundível na Sociedade, como órgão de Expressão e Comunicação de uma Cultura na qual a Sociedade inteira se reconhece pelos seus ideais e valores. A sociedade medieval conseguiu atingir seu apogeu no século XVI. O Espírito do Renascimento e da Reforma tiveram suas influências. O Empirismo (Bacon) na Inglaterra, afirmando que tudo parte da prática e o racionalismo (Descartes) “Se o homem pensa, logo existe”, são duas grandes correntes que deram origem ao pensamento contemporâneo. A Universidade passou a ser a porta através da qual se produz conhecimento com base em pesquisa. Lugar de ensino do saber universal. Fator de ascensão social. Deve, ainda, aspirar um processo de educação permanente. Daí o tripé, ensino, pesquisa, e extensão. Enfim, as Universidades surgiram para compreender a concepção de ciência como conhecimento metódico e esquematizado de sua produção (pesquisa) e transmissão (ensino – assimilação).
Quanto a história do Ensino Superior no Brasil, pode-se analisar sob diversos aspectos. A partir do texto Universidade, Ciência e Subdesenvolvimento. Simon refere-se aos Problemas de Educação e a questão da Universidade, dizendo que nos anos de 1920 eram feitas Conferências e debates com a finalidade de que através da educação o país se desenvolvesse. Nos anos trinta surgem as primeiras universidades. Em 1960 o tema da reforma universitária era obrigatório nos ambientes intelectuais e políticos, o que resultou num programa de treinamento para a melhoria da educação, mesmo sendo apenas uma peça nesse gigantesco e complexo quebra cabeça. Coloco, então, alguns pontos que me fazem questão. Como não ser conivente com certas posições de interesses políticos e financeiros? O crescimento desordenado da privatização de universidades gerou uma perda na qualidade do ensino e, consequentemente, um impasse. Que tipo de avaliação fazer com os alunos que chegam despreparados? Considera-se “n” variáveis com tolerância a certas limitações ou não? Digo limitações por se tratar de um país subdesenvolvido, onde o aluno precisa trabalhar. Ou a Universidade é para poucos? Com o aumento vertiginoso da população, haveria outra forma de não restringir o ensino de terceiro grau a uma minoria elitizada, considerando as condições brasileiras sem perda na qualidade de ensino? Se há um interesse em democratizar as Universidades e Socializar o Conhecimento que considerações devem ser relevadas para se atingir tais objetivos? A resposta para essas questões requer uma atenção especial não só de Categorias Dirigentes, mas também de cada um de nós que está envolvido no processo educativo e de formação profissional. A Universidade não pode reduzir-se a um lugar de mera transmissão do Saber. Deve sim, ir além. Despertar no aluno um compromisso cada vez maior com a sua formação profissional, com uma contribuição social e interesse pela pesquisa. Como eu trabalho com a Psicanálise, tomaria também esse “ir além“, sob outro enfoque. O de um outro Saber que não é o tecnológico, nem o científico, não é da ordem do conhecimento, mas que é o mais elementar do ser humano, saber de sua verdade. Saber de seu inconsciente, de seu desejo de seus medos, suas angústias, suas limitações, seu próprio funcionamento, isto, é saber de si mesmo, além do saber da ciência. Esta possibilidade deveria existir nos currículos escolares desde o início de educação de uma criança. Assim evitar-se-ia um tão grande número de pessoas que se formam, principalmente nas Universidades Federais e não exercem a profissão. Por ser de graça só querem um título. Já que o Brasil é um país que valoriza isso.
Outra questão, a Ciência busca “melhorar“ a condição de vida do homem, tirá-lo cada vez mais da natureza e colocá-lo na cultura, daí o paradoxo: até que ponto o progresso trazido pelo avanço científico é favorável ao homem? Há, pois, urgência de que em todos os níveis de ensino se inclua nos currículos a possibilidade do homem ampliar sua consciência, sua percepção, disso que nele trabalha e que resulta num funcionamento.
Concluindo, espero que a Universidade possa voltar a atender sua finalidade inicial que era uma adaptação do meio ao homem e do homem ao meio (homem x sociedade). Proporcionar-lhe uma melhor qualidade de vida. E não deixá-lo mais estressado, angustiado pela sobrevivência, correndo atrás da máquina mesmo que isso lhe custe a própria saúde física e mental. E que a entrada na Universidade não seja através da manifestação de um cursinho para o vestibular, mas que haja medidas de avaliação mais eficazes e humanas.
Enfim, que a Universidade possa cada vez mais ser o “Templo do Saber“.
Terça-feira, Maio 15, 2007
A criança, esse pequeno e indefeso ser, precisa de muito amor e compreensão para se tornar um adulto amável e compreensível. Os cuidados que ela requer não são somente em relação ao corpo, à higiene, alimentação, saúde, mas também e principalmente aqueles de ordem afetiva, moral e ética.
A modernidade alterou a ordem das coisas, trouxe mudanças de valores, um esvaziamento da ética e um descuido com a disciplina. Predomina uma relatividade em detrimento de parâmetros que possam orientar os pais e educadores na formação e desenvolvimento do infante.
O relativismo através do qual tudo é relativo, tudo pode, desorienta os mais bem intencionados em acertar. Acertar em ensinar, educar, amar questionar, enfim a discernir aquilo que é para o bem ou para o mal, já que se pode fazer qualquer coisa. Mas será que convém fazê-la ?
Entender que o ser humano é um ser da falta, que nada o completa é importante para que não se pense que suprir todas as necessidades da criança, ou atender a todos os pedidos dela, significa amá-la incondicionalmente.
A verdadeira formação da personalidade deve estar calcada em certos princípios de conhecimento sobre a criança e de respeito para com ela, mas não de tolerância para com o mal que ela possa fazer e se fazer. Como nos disse Freud a tolerância para com o mal não é nenhum corolário do conhecimento.
Sabe-se que a criança apresenta características que lhes são peculiares tais como: o egoísmo, a persistência, o egocentrismo, por isso quer ser o centro das atenções e se satisfazer a qualquer custo. Sair dessa posição infantil para uma compreensão de que as coisas nem sempre são como ela quer, requer uma grande dose de paciência, ensinamento e ¿exemplo¿. Diz o dito popular: ¿As palavras comovem, mas o exemplo arrasta¿.
Quando se fala em exemplo, se fala naquilo que os pais transmitem aos filhos, em termos do que realmente ¿desejam¿ ou esperam deles. É algo profundo e inconsciente que muitas vezes nem os pais o sabem. Por isso se põem como ¿vítimas¿ do que os filhos são, do que eles fazem e não como tendo parte nisso.
A psicologia revolucionou a maneira de ver a criança, não mais como um mero instrumento de obediência e submissão, mas como um ser que tem suas vontades próprias.
Esse é o ponto nevrálgico na educação, pois como atender ¿essas vontades¿ sem cair numa falta de limites onde os pais acabam sendo ¿escravos¿ dessas vontades.
Saber distinguir uma vontade que se pode atender sem prejudicar a criança não há mal nenhum, como por exemplo: a criança não quer vestir determinada roupa, ou comer determinada coisa e a mãe quer que o faça a força, isso acaba numa ¿guerra¿ de poder. Quem pode mais.
Nesse caso seria mais sensato que a criança pudesse escolher. Diferente de uma situação na qual ela corre risco. Não adianta dizer a uma criança muito pequena que não se pendure na janela do 10º andar, pois pode cair. O indicado é trancar a janela. Colocar um cadeado se preciso for.
Muitas vezes a incoerência dos pais ou mesmo dos educadores, de um modo geral, é um fator que gera conflito e indisciplina. O recomendável é que os pais sejam coerentes na educação. Se o pai dá uma ordem, a mãe deve respeitar e não desautorizá-lo e vice versa. Isso não significa que os pais tenham que ter o mesmo ponto de vista sobre determinada situação, mas a posição já tomada por um deve ser respeitada pelo outro. E até explicada: mamãe ( ou papai ) pensa diferente, mas como papai já falou vai ser assim. Sabe-se que a criança quando quer algo é muito insistente e não se cansa de pedir, chorar, gritar, bater o pé. Os pais para se verem ¿livres¿ dessa insistência acabam cedendo, depois de dizerem muitos nãos. Com isso a criança conclui que sua persistência em querer algo, apesar do não inicial, vencerá mais cedo ou mais tarde, já que esse não vira sim. Então faça, então pegue, então vá.
Não é fácil manter um não até o fim, por isso é importante que se pense bem antes de dizê-lo, se procede mesmo, se é capaz de sustentá-lo.
A conversa, a explicação das atitudes tomadas pelos pais situa a criança no porquê fazer determinadas coisas, pois ensiná-la a esperar, a postergar ou mesmo trocar aquilo que de imediato ela deseja é tarefa ardua e que exige muita paciência, persistência e firmeza. Não existe faculdade para educação de filho, mas existe sim o desejo dos pais e o desejo dos filhos. Como lidar com essas diferenças? Eis a questão. Importante é saber que esse ¿desejo¿ é o que verdadeiramente mobiliza certas atitudes e nem sempre coincide com a vontade. Por exemplo, se diz que quer algo mas se faz outra coisa. Há então que parar e perguntar o porquê dessa contradição. Pois nesse caso passa-se mensagens ambíguas para os filhos. Apostar na educação que se dá à criança é acreditar que futuramente ela possa buscar os seus próprios caminhos.
Outra vertente importante a ser considerada em relação a criança, está no lugar que ela ocupa na relação parental, pois sabe-se que o sintoma da criança corresponde à verdade do par familiar e também diz respeito à subjetividade da mãe, ou seja, a criança como objeto no fantasma da mãe. Que fantasia seria essa na qual a criança é envolvida?
A disciplina “O Ensino Superior no Brasil” trouxe uma visão ampla e crítica do que tem sido a trajetória das universidades, desde seus primórdios até os dias atuais.
Através de uma breve citação, pode-se dizer que o surgimento das Universidades do mundo se deu através da preocupação com a Educação. O homem deveria adaptar-se ao meio e vice-versa. No século X, começaram a surgir no fundo das Igrejas, estudos sobre como trabalhar o homem e sua formação. Na idade Média, a conservação e transmissão do conhecimento teórico, deveriam ser confiadas a uma instituição denominada “Studium Generale”. Instituição compreendida como uma cooperação autônoma de professores e estudantes, que conseguiu unificar a chamada cultura ocidental durante três séculos. Foram nessas instituições que pensadores esquematizaram suas doutrinas. No século XII a Universidade teve seu real aparecimento como Instituição. Apresenta-se com características que lhe confere uma posição inconfundível na Sociedade, como órgão de Expressão e Comunicação de uma Cultura na qual a Sociedade inteira se reconhece pelos seus ideais e valores. A sociedade medieval conseguiu atingir seu apogeu no século XVI. O Espírito do Renascimento e da Reforma tiveram suas influências. O Empirismo (Bacon) na Inglaterra, afirmando que tudo parte da prática e o racionalismo (Descartes) “Se o homem pensa, logo existe”, são duas grandes correntes que deram origem ao pensamento contemporâneo. A Universidade passou a ser a porta através da qual se produz conhecimento com base em pesquisa. Lugar de ensino do saber universal. Fator de ascensão social. Deve, ainda, aspirar um processo de educação permanente. Daí o tripé, ensino, pesquisa, e extensão. Enfim, as Universidades surgiram para compreender a concepção de ciência como conhecimento metódico e esquematizado de sua produção (pesquisa) e transmissão (ensino – assimilação).
Quanto a história do Ensino Superior no Brasil, pode-se analisar sob diversos aspectos. A partir do texto Universidade, Ciência e Subdesenvolvimento. Simon refere-se aos Problemas de Educação e a questão da Universidade, dizendo que nos anos de 1920 eram feitas Conferências e debates com a finalidade de que através da educação o país se desenvolvesse. Nos anos trinta surgem as primeiras universidades. Em 1960 o tema da reforma universitária era obrigatório nos ambientes intelectuais e políticos, o que resultou num programa de treinamento para a melhoria da educação, mesmo sendo apenas uma peça nesse gigantesco e complexo quebra cabeça. Coloco, então, alguns pontos que me fazem questão. Como não ser conivente com certas posições de interesses políticos e financeiros? O crescimento desordenado da privatização de universidades gerou uma perda na qualidade do ensino e, consequentemente, um impasse. Que tipo de avaliação fazer com os alunos que chegam despreparados? Considera-se “n” variáveis com tolerância a certas limitações ou não? Digo limitações por se tratar de um país subdesenvolvido, onde o aluno precisa trabalhar. Ou a Universidade é para poucos? Com o aumento vertiginoso da população, haveria outra forma de não restringir o ensino de terceiro grau a uma minoria elitizada, considerando as condições brasileiras sem perda na qualidade de ensino? Se há um interesse em democratizar as Universidades e Socializar o Conhecimento que considerações devem ser relevadas para se atingir tais objetivos? A resposta para essas questões requer uma atenção especial não só de Categorias Dirigentes, mas também de cada um de nós que está envolvido no processo educativo e de formação profissional. A Universidade não pode reduzir-se a um lugar de mera transmissão do Saber. Deve sim, ir além. Despertar no aluno um compromisso cada vez maior com a sua formação profissional, com uma contribuição social e interesse pela pesquisa. Como eu trabalho com a Psicanálise, tomaria também esse “ir além“, sob outro enfoque. O de um outro Saber que não é o tecnológico, nem o científico, não é da ordem do conhecimento, mas que é o mais elementar do ser humano, saber de sua verdade. Saber de seu inconsciente, de seu desejo de seus medos, suas angústias, suas limitações, seu próprio funcionamento, isto, é saber de si mesmo, além do saber da ciência. Esta possibilidade deveria existir nos currículos escolares desde o início de educação de uma criança. Assim evitar-se-ia um tão grande número de pessoas que se formam, principalmente nas Universidades Federais e não exercem a profissão. Por ser de graça só querem um título. Já que o Brasil é um país que valoriza isso.
Outra questão, a Ciência busca “melhorar“ a condição de vida do homem, tirá-lo cada vez mais da natureza e colocá-lo na cultura, daí o paradoxo: até que ponto o progresso trazido pelo avanço científico é favorável ao homem? Há, pois, urgência de que em todos os níveis de ensino se inclua nos currículos a possibilidade do homem ampliar sua consciência, sua percepção, disso que nele trabalha e que resulta num funcionamento.
Concluindo, espero que a Universidade possa voltar a atender sua finalidade inicial que era uma adaptação do meio ao homem e do homem ao meio (homem x sociedade). Proporcionar-lhe uma melhor qualidade de vida. E não deixá-lo mais estressado, angustiado pela sobrevivência, correndo atrás da máquina mesmo que isso lhe custe a própria saúde física e mental. E que a entrada na Universidade não seja através da manifestação de um cursinho para o vestibular, mas que haja medidas de avaliação mais eficazes e humanas.
Enfim, que a Universidade possa cada vez mais ser o “Templo do Saber“.
postado por: MARIA OTILIA BENTO HOLZ 10:28 AM
Terça-feira, Maio 15, 2007
A criança, esse pequeno e indefeso ser, precisa de muito amor e compreensão para se tornar um adulto amável e compreensível. Os cuidados que ela requer não são somente em relação ao corpo, à higiene, alimentação, saúde, mas também e principalmente aqueles de ordem afetiva, moral e ética.
A modernidade alterou a ordem das coisas, trouxe mudanças de valores, um esvaziamento da ética e um descuido com a disciplina. Predomina uma relatividade em detrimento de parâmetros que possam orientar os pais e educadores na formação e desenvolvimento do infante.
O relativismo através do qual tudo é relativo, tudo pode, desorienta os mais bem intencionados em acertar. Acertar em ensinar, educar, amar questionar, enfim a discernir aquilo que é para o bem ou para o mal, já que se pode fazer qualquer coisa. Mas será que convém fazê-la ?
Entender que o ser humano é um ser da falta, que nada o completa é importante para que não se pense que suprir todas as necessidades da criança, ou atender a todos os pedidos dela, significa amá-la incondicionalmente.
A verdadeira formação da personalidade deve estar calcada em certos princípios de conhecimento sobre a criança e de respeito para com ela, mas não de tolerância para com o mal que ela possa fazer e se fazer. Como nos disse Freud a tolerância para com o mal não é nenhum corolário do conhecimento.
Sabe-se que a criança apresenta características que lhes são peculiares tais como: o egoísmo, a persistência, o egocentrismo, por isso quer ser o centro das atenções e se satisfazer a qualquer custo. Sair dessa posição infantil para uma compreensão de que as coisas nem sempre são como ela quer, requer uma grande dose de paciência, ensinamento e ¿exemplo¿. Diz o dito popular: ¿As palavras comovem, mas o exemplo arrasta¿.
Quando se fala em exemplo, se fala naquilo que os pais transmitem aos filhos, em termos do que realmente ¿desejam¿ ou esperam deles. É algo profundo e inconsciente que muitas vezes nem os pais o sabem. Por isso se põem como ¿vítimas¿ do que os filhos são, do que eles fazem e não como tendo parte nisso.
A psicologia revolucionou a maneira de ver a criança, não mais como um mero instrumento de obediência e submissão, mas como um ser que tem suas vontades próprias.
Esse é o ponto nevrálgico na educação, pois como atender ¿essas vontades¿ sem cair numa falta de limites onde os pais acabam sendo ¿escravos¿ dessas vontades.
Saber distinguir uma vontade que se pode atender sem prejudicar a criança não há mal nenhum, como por exemplo: a criança não quer vestir determinada roupa, ou comer determinada coisa e a mãe quer que o faça a força, isso acaba numa ¿guerra¿ de poder. Quem pode mais.
Nesse caso seria mais sensato que a criança pudesse escolher. Diferente de uma situação na qual ela corre risco. Não adianta dizer a uma criança muito pequena que não se pendure na janela do 10º andar, pois pode cair. O indicado é trancar a janela. Colocar um cadeado se preciso for.
Muitas vezes a incoerência dos pais ou mesmo dos educadores, de um modo geral, é um fator que gera conflito e indisciplina. O recomendável é que os pais sejam coerentes na educação. Se o pai dá uma ordem, a mãe deve respeitar e não desautorizá-lo e vice versa. Isso não significa que os pais tenham que ter o mesmo ponto de vista sobre determinada situação, mas a posição já tomada por um deve ser respeitada pelo outro. E até explicada: mamãe ( ou papai ) pensa diferente, mas como papai já falou vai ser assim. Sabe-se que a criança quando quer algo é muito insistente e não se cansa de pedir, chorar, gritar, bater o pé. Os pais para se verem ¿livres¿ dessa insistência acabam cedendo, depois de dizerem muitos nãos. Com isso a criança conclui que sua persistência em querer algo, apesar do não inicial, vencerá mais cedo ou mais tarde, já que esse não vira sim. Então faça, então pegue, então vá.
Não é fácil manter um não até o fim, por isso é importante que se pense bem antes de dizê-lo, se procede mesmo, se é capaz de sustentá-lo.
A conversa, a explicação das atitudes tomadas pelos pais situa a criança no porquê fazer determinadas coisas, pois ensiná-la a esperar, a postergar ou mesmo trocar aquilo que de imediato ela deseja é tarefa ardua e que exige muita paciência, persistência e firmeza. Não existe faculdade para educação de filho, mas existe sim o desejo dos pais e o desejo dos filhos. Como lidar com essas diferenças? Eis a questão. Importante é saber que esse ¿desejo¿ é o que verdadeiramente mobiliza certas atitudes e nem sempre coincide com a vontade. Por exemplo, se diz que quer algo mas se faz outra coisa. Há então que parar e perguntar o porquê dessa contradição. Pois nesse caso passa-se mensagens ambíguas para os filhos. Apostar na educação que se dá à criança é acreditar que futuramente ela possa buscar os seus próprios caminhos.
Outra vertente importante a ser considerada em relação a criança, está no lugar que ela ocupa na relação parental, pois sabe-se que o sintoma da criança corresponde à verdade do par familiar e também diz respeito à subjetividade da mãe, ou seja, a criança como objeto no fantasma da mãe. Que fantasia seria essa na qual a criança é envolvida?
postado por: MARIA OTILIA BENTO HOLZ 6:41 PM
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
LINK DE VÍDEOS PSICANALÍTICOS
AQUI ALGUNS VÍDEOS BASTANTE DIDÁTICOS (se é que isso é possível em psicanálise Lacaniana), de MARCELO AUGUSTO PEREZ, PSICANALISTA ARGENTINO.
http://www.youtube.com/user/psicocorreo
http://www.youtube.com/user/psicocorreo
INTERNET - RETORNO A HISTERIA
Resumo
Este estudo propõe analisar o comportamento sexual dos usuários das comunidades virtuais, do ponto de vista semiótico-psicanalítico. Como objeto de análise, observou-se os signos que representam a histeria, nesse contexto. Para recorte de corpus escolheu-se a Internet, e nela o site de relacionamentos Orkut. Num primeiro momento, a semiótica foi usada a fim de atestar a procedência da Orkut como uma rede social, para, em seguida, e adotando o pressuposto de que existe uma estrutura que metaforiza o comportamento das pessoas usuárias da rede social Orkut, foi realizado um retorno ao conceito de histeria, atribuindo-lhe condição de estrutura psíquica que representa o comportamento dos usuários da rede.
Palavras-chave
Comunidade virtual; semiótica das mídias; semiótica psicanalítica; histeria contemporânea.
Importante: Artigo apresentado no XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
Para ler o artigo completo clique aqui.
COSTA, Patrícia Martins Costa. Internet: o retorno à histeria. In Anais do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 29 ago a 2 set 2007. Santos: PUC-SP.
Este estudo propõe analisar o comportamento sexual dos usuários das comunidades virtuais, do ponto de vista semiótico-psicanalítico. Como objeto de análise, observou-se os signos que representam a histeria, nesse contexto. Para recorte de corpus escolheu-se a Internet, e nela o site de relacionamentos Orkut. Num primeiro momento, a semiótica foi usada a fim de atestar a procedência da Orkut como uma rede social, para, em seguida, e adotando o pressuposto de que existe uma estrutura que metaforiza o comportamento das pessoas usuárias da rede social Orkut, foi realizado um retorno ao conceito de histeria, atribuindo-lhe condição de estrutura psíquica que representa o comportamento dos usuários da rede.
Palavras-chave
Comunidade virtual; semiótica das mídias; semiótica psicanalítica; histeria contemporânea.
Importante: Artigo apresentado no XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação.
Para ler o artigo completo clique aqui.
COSTA, Patrícia Martins Costa. Internet: o retorno à histeria. In Anais do XXX Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação. 29 ago a 2 set 2007. Santos: PUC-SP.
domingo, 31 de janeiro de 2010
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
Artigos Jorge Forbes
O excitante amor ao diferente
20/01/2010 16h48
ALIÁS DOMINGO, 17 DE JANEIRO DE 2010
Estudante de direito e filha de professora universitária ajuda namorado, office-boy procurado pela Justiça, a assaltar a própria mãe.
Jorge Forbes*
A filha, ao mesmo tempo que se despede da mãe que está indo para a missa, pedindo que lhe trouxesse um doce quando voltar, fala ao telefone com o namorado, passando as coordenadas dos movimentos da mãe, para que o assalto planejado pelo bando desse namorado seja feito com a melhor precisão.
De uma só vez essa menina, de cara angelical e voz infantilizada, consegue romper dois dos principais tabus sociais: mãe e religião. Com mãe e Deus não se brinca, ditava a cartilha de qualquer meliante. Quando os "intocáveis" do laço social começam a desmoronar, com justa razão há um alerta geral, e essa pequena notícia veiculada nessa semana fica incomodando tal qual uma espinha, ao lado de tragédias bem mais retumbantes.
A menina é loira, estudante de direito, filha de professora universitária e de procurador de Justiça. O menino é moreno, office-boy, procurado pela Justiça. Silêncio: cuidado com pensamentos politicamente incorretos sobre essa união. Que ninguém venha falar que o menino é o lobo mau dessa doce chapeuzinho. Nem a mãe nem o pai da menina nada devem ter dito, dada a convivência íntima por dois anos, em sua casa. Tem muito pai e mãe que não falam mais nada para seus filhos, hoje em dia, amordaçados pela patrulha do politicamente correto. Se disserem alguma coisa, estarão discriminando. Mas não haveria uma forma de se falar, sem ser condenado por sua opinião? Vejamos.
Quando pessoas convivem por muito tempo, de duas, uma: ou elas têm muita coisa a repartir - interesses, valores culturais e éticos -, ou elas, sendo muito diferentes, tentam anular a diferença que as afasta, hipertrofiando os prazeres básicos sexuais e anulando qualquer outro sistema de laço social que as distancie. Logo, o desastre não é decorrente do fato de um ser supostamente melhor que o outro, mas de que, quanto mais distantes forem, mais primária, no sentido de menos elaborada, será a relação, necessariamente. O duro, a se acrescentar, é que o amor entre os diferentes é muitas vezes mais excitante do que a modorrice dos semelhantes. Será que os pais poderiam explicar isso a seus filhos e, especialmente, a si próprios? E mais, nem sempre o que é explicado tem que ser entendido. Pais não devem temer o mal-entendido; não há um bom pai, ou boa mãe - seja o que for que entendamos por isso - que já não tenha ouvido "eu não gosto de você" de um filho. Logo, pais, não recuem quando não concordarem, quando não aceitarem.
Nessa sociedade que perdeu os parâmetros há que se tomar cuidado em se pensar que finalmente somos todos iguais. Não, ao contrário, o que fica evidente é que somos todos diferentes, o que exige muito mais responsabilidade em qualquer relação. Se não for assim, estão abertas as portas à esculhambação generalizada: ao estupro de menores, ao furto de velhinhas, ao roubo de mães.
Não houve quem não associasse esse incidente carioca com o assassinato de um casal em São Paulo, com a participação da filha igualmente estudante de direito. (Nada de conclusões precipitadas sobre as estudantes de direito...) Será que a família vai desaparecer, como pensam alguns? Será que a família é uma relação como outra qualquer? Contrariando o bom-senso, que sempre pensa mal, a tendência da globalização é de sublinhar um novo valor da família, que não é desmentido pelo grande aumento dos divórcios, se entendermos a lógica. A família será o centro da responsabilidade ética - disse ética, e não moral - da sociedade. Família, grosso modo, é do que nos queixamos com mais veemência e paixão. É o grupo do qual mais se espera o reconhecimento que nunca chega e a compreensão impossível de sua dor. É na insatisfação da família que cada um lapida o que lhe falta, a saber, o seu desejo, pois não há desejo sem falta.
Luc Ferry, em livro recente, Famílias, Amo Vocês - Política e Vida Privada na Era da Globalização, defende a ideia de que depois da era na qual os humanos se guiavam pela transcendência divina, substituída pela transcendência da razão no Iluminismo, alcança-se, na globalização, a "transcendência da imanência". Vale uma explicação: ao contrário do que se pode imaginar, os tempos atuais de forte individualismo não caminham para o isolacionismo, mas para a rede social. E é na rede social, no confronto com o parceiro, que cada pessoa tem a ocasião de perceber o que Freud chamou de "o estranho", "Das Unheimlich". Quando nos encontramos com alguém, mais claro fica que alguma coisa de mim falta ao encontro, exatamente essa coisa estranha, essa transcendência da imanência, essa falha na minha intimidade, esse "êxtimo", como o nomeou Lacan. Pois bem, depois do divino e da razão, é essa intimidade estranha que servirá de guia ético para o novo tempo. Sua estranheza exigirá de cada um duas coisas: invenção e responsabilidade. Inventar um sentido para o que não tem, para o estranho, e se responsabilizar pela sua publicação no mundo.
Se ontem as famílias estavam a serviço da República, mandando seus filhos para a guerra, por exemplo, hoje, a República deverá servir às famílias. É o remédio contra o que nos repugna: uma filha ficar de campana para a mãe ser assaltada.
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* Psicanalista, preside o Instituto da Psicanálise Lacaniana - IPLA e dirige a Clínica de Psicanálise do Centro do Genoma Humano - USP
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Segredo da Longevidade

Hoje no almoço encontramos um senhor de 96 anos, mas que eu não daria mais do que 70 anos de idade.
Minha colega de trabalho questionou o segredo deste senhor se manter em tão boa forma, e deduziu que ele não fumava nem bebia.
No que se deu a resposta do velho:
- Não bebo nem fumo, mas o segredo mesmo é fazer sexo, todo dia uma vez, não mais do que isso senão vira excesso. Depois que parei de praticar é que comecei a envelhecer.
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
O retorno do transcendente ou considerações despretenciosas sobre a atualidade (parte 1)
Inicialmente, quero deixar claro ao nobre leitor que se debruça sobre estas linhas que não pretendo realizar aqui uma análise sociológica profunda, o que de imediato retira do presente escrito qualquer possibilidade de ser reconhecido como um trabalho acadêmico. Tenho em vista apenas expor algumas conclusões a que cheguei por meio da observação não-sistemática, não-metodológica, parcialmente influenciada por minhas expectativas, afetos e demais elementos subjetivos conjugada a uma reflexão de cunho predominantemente racional – entendendo esse termo na acepção tradicional referida ao pensamento cartesiano. Trocando em miúdos, tudo o que será exposto aqui pertence ao domínio da doxa e não da episteme.
Diz-se por aí – principalmente por aqueles que pretendem se constituir em autoridade para dizê-lo – que atualmente as pessoas do lado de cá do globo terrestre vivenciam um momento histórico marcado pelo pluralismo sócio-cultural que, basicamente, quer dizer que respeitando minimamente as leis do Estado eu posso elaborar um padrão de vida inteiramente singular, contrário, inclusive, aos preceitos da religião oficial do mesmo Estado e que não serei preso, apedrejado ou morto por causa disso. Outra marca do atual momento segundo os que dizem é um certo estado de incerteza, falta de direcionamento e sentido para a existência resultante da perda do poder normatizador das grandes instituições – como a família, o Estado e a Igreja – e das grandes narrativas que justificavam a vida mediante uma referência a uma realidade transcendental.
Nesse contexto, de prevalência do singular face ao universal e do desbussolamento frente ao sentido, é de se esperar que o investimento psíquico (libidinal, para usar um termo de Freud) das pessoas se deslocasse da transcendência para a imanência da vida, isto é, que a maior preocupação das pessoas deixasse de ser o significado de suas vidas e a adequação de suas ações a um determinado “programa de gerenciamento existencial” e passasse para as peculiaridades e contingências de sua vida concreta. Isso não significa, no entanto, que as pessoas deixassem de buscar sentido para suas vidas. Afinal, a pergunta concernente ao motivo pelo qual existimos e devemos existir pode ser posta no rol daqueles traços que possivelmente caracterizam a chamada “condição humana”. O que mudou foi a fonte onde os indivíduos se dirigem para buscar sentido. Se antes essa fonte era constituída pelas religiões e metanarrativas, na atualidade seria a própria imanência da vida.
O maior exemplo dessa transformação foi a ascenção dos chamados “reality shows” nas televisões de todo o mundo. As pessoas ficam em frente de seus televisores para assistir a pessoas comuns ou artistas mostrando sua faceta de pessoas comuns agindo como pessoas comuns e mostrando conflitos e situações completamente comuns e familiares aos espectadores. Por que assistir à vida comum com conflitos comuns se nós já estamos DENTRO da vida comum com conflitos comuns? Ao meu ver, porque a televisão e os demais meios de comunicação faz com que mesmo o comum transcenda os limites que o conjugam a nossa vida familiar. Assim, aquilo que naturalmente está do lado da imanência da vida se converte em transcendente e aparece aos olhos do espectador como uma possível fonte de sentido para sua vida. É como se cada um que assiste aos “reality shows” dissesse: “Como não acredito mais nessas histórias fantásticas contadas pela religião e pela tradição, deixa eu ver como essas pessoas comuns como eu vivem suas vidas de forma que eu possa extrair o mínimo de parâmetro para a minha.”
Vê-se, portanto, que uma das formas pelas quais o transcendente retorna é justamente através da conversão da imanência em transcedência. No próximo post apresentarei outros casos ilustrativos de retorno do transcendente.
ESCRITO POR LUCAS NAPOLI DO BLOG
LUCAS NAPOLI
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
Freud é público
Desde o dia 1o de janeiro de 2010 os textos de Freud se tornaram de domínio público. Isso quer dizer que os direitos de reprodução de sua obra estão liberados a todos, o que nos leva a uma possibilidade de ampliação, principalmente em meios virtuais, do acesso a sua obra. E ainda, as 15000 cartas escritas por ele que estão na Biblioteca do Congresso de Washington estarão disponíveis a reprodução. Hoje, apenas 3000 destas cartas foram publicadas e mais de 5000 delas foram perdidas. Ainda nos resta um grande universo inexplorado de sua produção privada, que como sabemos, sempre fala sobre a sua clínica e o movimento psicanalítico.
A outra boa notícia, é a possibilidade de termos em português uma nova tradução. Uma diferente da atual publicada pela editora Imago, traduzida da bela versão inglesa realizada por James Strachey, (que está sendo revista atualmente) mas que em português deixou muito a desejar. Um texto vindo diretamente do alemão nos ajudaria muito e tenho certeza no interesse das editoras em fazer uma versão deste modo, visto que há um grande público interessado num texto mais fiel ao pensamento do autor vienense.
Já há um projeto em andamento, com três volumes publicados e os seus textos reunidos por temas e não cronologicamente. O trabalho tem sido tão minucioso que recorre às edições em vários outros idiomas, o que tem tomado muito tempo entre a publicação de um volume e outro.
Talvez seja possível também fazer uma tradução apenas com um estudo sobre o alemão da época freudiana, trabalhando para restituir o sentido proposto por Freud em seu texto; e não mais o da IPA e nem o de Jacques Lacan. Acredito termos linguistas, historiadores e psicanalistas competentes para tal empreitada. Afinal, Freud foi um homem que dedicou seus últimos 40 anos a clínica que criou com a descoberta do Inconsciente. Seu conhecimento revolucionou o que sabíamos sobre o humano e permanece uma importante referência na cultura ocidental. Freud é público, vejamos bem o que faremos com isso!POR MARCIO VEGAS DO BLOG
O RECALQUE
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